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Página 2

100 POR CENTO LIVROS

28
Jul14

Ulianov e o Diabo

Nuno Chaves

 

Mais um livro do autor Pedro Garcia Rosado, e este em especial era um livro que queria muito ler. Trata-se do segundo volume da série “O Estado do Crime” e  deu-me algum trabalho a conseguir, visto que já não está em circulação. Mas o esforço compensou. Para quem acompanha o trabalho do autor, sabe porque é que este livro se torna especial… Ulianov o protagonista deste thriller é um personagem memorável que descobri em “Vermelho da Cor do Sangue” e que tal como apareceu, desapareceu e levou o leitor a torcer por ele e a desejar saber mais a seu respeito. O facto de estar a ler os livros numa ordem invertida, dá-me também a possibilidade de recordar outros personagens com quem já me tinha cruzado. O Inspector José Moura e  o Director Rodrigo Álvares (O Clube de Macau) e o personagem Maxim e o seu célebre “video-clube” (Vermelho da Cor do Sangue). Em Ulianov e o Diabo, é novamente aberta a porta para o universo de Serguei Denisovich Tchekhov, ex-agente do KGB, desta forma conhecemos e entendemos um pouco melhor o percurso do Ex-agente Soviético e de como chegou a Portugal. Novamente a estrela maior é a corrupção e a dimensão inacreditável dos tentáculos do “Polvo”. A história começa na década de 70, quando dois irmãos, Lourenço e Alberto, raptam uma rapariga e a deixam quase à beira da morte. Trinta anos depois, voltamos a encontrar esta insólita “dupla” de irmãos que continua a fazer das suas. Pouco dados ao trabalho e preferindo a boa vida, Lourenço e Alberto vivem sobretudo uma vida dupla, em que o mais importante são as aparências. Sempre à sombra do pai, um poderoso industrial (em fim de carreira) os dois irmãos vão cometendo vários crimes, que para eles não passam de meros pormenores. Associação Criminosa, Enriquecimento ilícito, Tráfico de Influências e Prostituição são apenas alguns dos temas deste romance e dos disparates dos dois irmãos … Até ao dia em que algo corre mal e irá despoletar a ira e a vingança de Ulianov. Mas à sombra (saindo dela literalmente) do grande personagem que é Ulianov, PGR dá-nos a conhecer outra figura marcante é ele… O Diabo. É impossível pela descrição dada, não fechar os olhos e imaginar esta tenebrosa criatura que espreita das entranhas da terra. Confesso que me repugnei e comovi ao mesmo tempo com “O Diabo” uma figura que vale a ser descoberta.

De leitura rápida e compulsiva à semelhança daquilo que o autor nos tem habituado, cada capítulo deixa-nos em suspenso e sem conseguir parar. Viajamos ao sabor da imaginação e descobrimos uma outra Lisboa por debaixo do chão, essa Lisboa que sabemos onde começa… mas que não sabemos onde irá acabar ou onde nos poderá levar.

* Marco novo encontro com Ulianov e o Diabo, na próxima série do autor (As Investigações de Gabriel Ponte) que conto ler em breve. Deixo também uma nota ao PGR ( e porque também eu tenho uma imaginação fértil). Espero reencontrar o “Diabo” antes deste episódio, saber quem é, de onde veio e como veio aqui parar. (mesmo tendo algumas indicações) Deixo aqui o mote ou a peça que poderá encaixar num possível “ressuscitamento”  do Coronel Vitor Gil… (e porque não)?

 

«Ulianov e o Diabo» é o segundo livro da Trilogia “O Estado do Crime” depois de «Crimes Solitários»

 

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Sinopse:
Nos bastidores do jet-set de Lisboa, os dois filhos deserdados de um antigo cavalheiro da indústria cometem finalmente o crime que pode arrasar a sua carreira de playboys em full-time e de criminosos em part-time No coração de Lisboa à beira do Tejo, o imigrante Russo que tem o nome de guerra de Ulianov , ex-agente do KGB e ex-presidiário em Portugal, é arrastado para a baralha mais difícil da sua vida, quando a sua Irmã desaparece. No mundo sombrio entre as relações entre a política e os negócios, um empresário preparar-se para construir a obra-prima da sua vida. E do inferno das cavernas subterrâneas de Lisboa emerge o sem-abrigo que guarda o segredo do desaparecimento da irmã de Ulianov. Esqueça tudo o que pensava que sabia sobre o que se passa fora do alcance dos seus olhos e debaixo dos seus pés, porque Ulianov e o Diabo vai levá-lo a um mundo desconhecido, onde habitam personagens capazes do impensável.

 

08
Jul14

Crimes Solitários

Nuno Chaves

 

Descobri PGR em 2013 apenas na curiosidade de ler algo de que toda a gente falava, e acabei por gostar muito dos primeiros 3 livros que compõem a série “Não Matarás” (a 2ª escrita por PGR)
Recentemente terminei “A Guerra de Gil” o 7º livro do autor e volto novamente para trás, desta vez com o “Crimes Solitários” o 1º romance publicado e que faz parte de uma série chamada “O Estado do Crime” (acredito que um trocadilho com a palavra «Estado» não tenha sido por acaso).
Crimes Solitários, regressa ao estilo que me agradou em “Não Matarás” um policial passado em Portugal e assente em casos tão “corriqueiros” que se tornaram “Prato do Dia” e quase tão normais como beber um copo de água.
Nada de invenções estranhas, neste policial que vai agradar com certeza aos fãs do género.
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A Ambição é o pilar principal deste livro e abunda, algo que julgo salutar (mas não a qualquer preço) embora tenha noção que por vezes os meios convencionais, não nos levem a lado nenhum. (Talvez seja por isso nunca tenha saído da cepa torta)….
Desde o Jornalista que tudo fará para obter o seu furo ao inspector da Judiciária, que usa armas pouco convencionais para cumprir objectivos e subir na hierarquia, passando pelo Pacóvio que ganhou uns cobres na vida, à conta do favorzinho  e das pequenas vigarices  e obviamente um casamento proveitoso construído sobre mentiras. Não falta nada! Qualquer semelhança com casos que possam conhecer, são apenas mera coincidência.
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Ambição, Corrupção, Homossexualidade Vingança e Crime são os ingredientes, utilizados por PGR neste seu livro de estreia.
As histórias de José Ricardo, Diogo Teixeira e Eduardo Cortes irão cruzar-se por mero acaso, O leitor irá assistir a uma espécie de mutação comportamental, em que cada passo leva a outro ainda pior, que os irá levar para uma viagem da qual poderá não existir regresso.
Com o Alentejo como paisagem de fundo, percorremos estradas e caminhos que poderiam muito bem ser os nossos.
Uma excelente estreia de PGR, bem ao gosto da “Menina dos Policiais” Vera Brandão, (Com muito sangue e sexo) que recomendo sem qualquer reserva.
Uma história frenética, Inquietante e com um final misterioso, surpreendente e quase místico, que se devora num abrir e fechar de olhos.
Leiam se faz favor.

Sinopse:
Uma noite, num dos mais belos restaurantes do Alentejo, um comerciante de negócios escuros chamado Eduardo Cortes revela publicamente um segredo embaraçoso, vingando-se da perseguição que lhe movem um inspector da Policia Judiciaria, Diogo Teixeira, e um jornalista especializado em casos de polícia, José Ricardo. Três anos depois, o mesmo Eduardo Cortes comete um homicídio mas, apesar do cuidado que põe na organização do crime para não se tornar suspeito, dá um pequeno passo em falso- um passo que só José Ricardo tem conhecimento, este, porém, não pode denunciá-lo sem se expor demasiado, pelo que se socorre do seu amigo Lisboa, Diogo Teixeira.

Está, pois , criado o ambiente para que os dois se ponham em campo para ajustarem contas antigas e resolverem um crime que podia ficar por resolver. Mas a caçada fará rolar muitas cabeças para além de Eduardo Cortes numa batalha em que dificilmente poderá haver vencedores.

05
Mar14

Os Apanhadores de Conchas

Nuno Chaves

 

Soube à página 44, que este seria um livro inesquecível e que me deixaria saudades… Não me enganei.
Creio que já o tinha dito num qualquer artigo anterior, que acredito que existem livros, que aguardam pacientemente que lhes peguemos, pois têm uma altura própria para serem descobertos (mesmo que tardiamente).
Os “Apanhadores de Conchas” foi mais um desses livros.
Comprei-o em  2008, juntamente com os restantes que na altura eram publicados na colecção “Biblioteca Sábado” onde eram publicados livros já editados, com um preço simbólico de 1 euro ou 1 euro e meio.
Foi uma leitura rápida, pois não é um livro muito grande, Mas que me proporcionou momentos extraordinários.
Um livro que me fez parar, reflectir e saborear cada momento, é a melhor forma que encontro para descrever esta leitura. E aqui está mais uma prova, de que um grande livro, não tem necessariamente de ser um livro grande.
Publicado em 1988, “Os Apanhadores de Conchas” transportam-nos até à Inglaterra dos anos 80 e à história de vida de Penelope Keeling, uma mulher de 64 anos, de personalidade bastante vincada, que após o susto de um ataque cardíaco, decide continuar a levar a sua vida como se nada tivesse passado. Penelope é uma mulher independente e bastante determinada. Nesta fase a história é apresentada de uma forma que nós enquanto leitores fazemos uma primeira pausa para reflexão… Não apenas enquanto leitores, mas como filhos e também como pais.
De uma forma extraordinária a autora, mexe com a nossas emoções e coloca-nos no lugar de Penelope, mas também nos coloca no lugar dos seus filhos.
Poderá uma mãe amar mais um filho do que outro?  Terá essa mãe o direito de dispor da sua vida da forma que bem entender? (Mesmo que isso pareça errado aos olhos dos filhos)?
E poderão esses filhos a determinada altura achar-se no direito de interferir ou decidir o que é melhor para um pai ou uma mãe, só por que sim?
Terão os filhos o direito de controlar o dinheiro dos pais se estes a determinada altura  e perfeitamente conscientes dos seus actos, lhes apetecer gastar essas poupanças naquilo que lhes apetecer? Terão os filhos o direito de pensar que podem possuir aquilo que nunca lhes pertenceu?
Serão forçosamente os laços de sangue, que ditam quem é a nossa verdadeira família? ou esta será aquela que o nosso coração ditar?
Todos nós temos as nossas dúvidas e os nossos segredos… é esta a espinha dorsal deste pequeno romance, que nos leva a questionar muitas atitudes de pais e filhos.
Cada capítulo é dedicado a uma pessoa que faz ou fez parte da vida de Penelope,somos transportados numa viagem constante entre o presente e o passado, e assim vamos compreendendo as origens e atando todas as pontas de uma vida recheada de emoções.
Um livro, que nos mostra pessoas, com defeitos e qualidades.
Este é um livro completo, da primeira à última página. Merece e vale a pena ser lido.
Tenho a certeza que a autora contou muito de si, através da sua personagem. Uma história de vida maravilhosa.

– Em baixo deixo um dos momentos espectaculares do livro, a vista de Penelope a Ibiza (para quem já leu, sabe do que falo).

– As obras de Rosamund Pilcher, foram editadas pela extinta Difel (editora que tinha um dos melhores catálogos em Portugal), espero que possa haver uma reedição dos seus livros, que tenho a certeza, valerão bastante a pena.

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Sinopse:
Penelope Keeling, filha de artista, é uma mulher suficientemente independente e activa para aceitar passivamente a velhice.
Olha para trás e recorda a sua vida: uma infância boémia em Londres e em Cornwall, um casamento desastroso durante a guerra e o homem que ela verdadeiramente amou.
Teve três filhos e aprendeu a aceitar cada um deles com as suas alegrias e desilusões.
Quando descobre que o seu bem mais importante vale uma fortuna – Os Apanhadores de Conchas -, um quadro que o pai lhe deu de presente e pintado por ele próprio, é ela que passa a decidir e determinar se a sua família continuará a ser mesmo uma família ou se se fragmentará definitivamente

16
Ago13

Por Favor não matem a Cotovia

Nuno Chaves

 

Este era uma dos livros que há muito tempo queria ler. Pelas muitas opiniões que fui lendo, reparei que era um livro que ficava na memória dos leitores, e finalmente parti para a sua leitura graças à Roda dos Livros ( e ao Jorge Navarro).
Apenas a título de registo, e para quem ainda não leu e gostaria de o fazer ou comprar (e porque a editora Difel que o publicava já não existe) esta obra está também no catálogo da Relógio D’Água com o titulo “Mataram a Cotovia” (mais fiel ao original) mas é um bocadinho mais caro.

Como disse, há muitos anos que ansiava a sua leitura, entrei portanto com grandes expectativas, apenas posso dizer que é um livro fabuloso, com uma história cheia de significados e muitas interpretações.
Para quem apenas conhecia a sinopse da história (como eu), não tem noção da grandiosidade deste livro: o título “Por Favor Não matem a Cotovia” é por si só um fenómeno de magnetismo imediato… Mas depois aparece a pergunta: porquê a Cotovia? de facto a ideia que tenho da Cotovia é que é um pássaro pequeno (nem bonito nem feio) com uma cor que se assemelha a um Pardal e um aspecto parecido a um Canário, mas a maior semelhança com um canário talvez seja mesmo o canto destes pássaros.

Diz Harper Lee neste livro que matar uma cotovia é pecado: (explicação do personagem Atticus, para a sua filha pequena Scout)
“As cotovias não fazem mais nada senão cantar para satisfação nossa. Não comem coisas nos jardins das pessoas, não fazem ninhos nas searas, não causam danos a ninguém. É por isso que é pecado matar uma cotovia.”

De facto na minha interpretação a Cotovia surge aqui como uma espécie de metáfora precisamente pela inofesividade aparente e para aquilo que a história nos reserva. Se lermos a sinopse, ficamos com a ideia de que se trata apenas de um livro sobre o racismo, mas esta história é muito mais que isso. A história em si é vista pelos olhos da pequena e ainda inocente Scout, que à semelhança da Cotovia, não tem, nem vê qualquer maldade nos adultos. São as várias situações a que irá estar sujeita que a obrigam à força a ver o mundo com outros olhos.
O pai Atticus é um advogado, que aceita um dia a defesa de um negro que é acusado de violar uma jovem branca, numa altura em que tudo o que de mau acontecia “era culpa dos pretos” a revolta da pequena população local, não se faz esperar. A família de Atticus começa a a ser perseguida e humilhada, porque o advogado contra tudo e contra todos insiste em defender o homem acusado, sabendo o leitor de ante-mão que está inocente. Esta  é uma das partes mais revoltantes da história, em que o leitor fica impotente, ansiando pela reviravolta.
Mais do que racismo “Por Favor Não Matem a Cotovia” fala de Amor e de Respeito pelo próximo e sobretudo respeito pelas diferenças, não apenas da cor da pele, mas também as diferenças entre pessoas e classes sociais. Atticus é um personagem incrível e como viúvo  e pai solteiro é fantástica a actuação com os seus dois filhos, Um homem que está à frente do tempo.
Este livro é uma enorme lição para todos aqueles que ainda hoje não sabem lidar com a diferença.
Porque as diferenças existem…. Sempre existiram. A intolerância também e continua a existir.
Gostei muito deste livro. recomendo-o sem qualquer reserva. É um livro imprescindível.

 

Sinopse: 

Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos o dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.

17
Nov12

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar

Nuno Chaves

 

Cheguei ao fim da trilogia Millennium com este “A Rainha no Palácio das Correntes de Ar” que começa exactamente no ponto onde o seu antecessor termina.
Conseguirá Lisbeth Salander escapar ao acontecimento que deixa o leitor em êxtase no final “A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo” é claro que sim! (Nem poderia ter sido de outra forma).

Tal como tinha referido anteriormente e não tenho qualquer dúvida quanto a isso, Salander será daquelas personagens que terão o seu lugar garantido na história da literatura. Será demasiado petulante da minha parte colocá-la no patamar de Anna Karenina ou Madame Bovary? O tempo o dirá e daqui por cem anos não duvido que será umas das heroínas da literatura do século XXI
Lisbeth Tomou um papel tão importante na Trilogia Millennium que ofuscou por completo Michael Bloomkvist o co-protagonista e também os restantes personagens da saga, que com muita pena terminou abruptamente com a morte do autor. Guardo o desejo de que algures numa gaveta esquecida, Larsson tenha deixado, mais uma história desta dupla magnifica.

Ao contrário do 1º volume “Os Homens que odeiam as mulheres” este 3º e último capítulo deve ser lido sequencialmente, visto que é a perfeita continuação do livro anterior. Estamos a falar de mais de 1500 páginas se porventura este(s) livro(s) estivessem juntos.

Ultrapassada a barreira inicial dos estranhos nomes Suecos (que nem me atrevo a pronunciar em voz alta), este livro é emocionante mas não consegue o mesmo fôlego dos antecessores. Foram necessárias quase 400 páginas lidas para recuperar a “embalagem”.
Num ritmo mais lento, “A Rainha no Palácio das Correntes de Ar” vai unindo aos poucos as pontas soltas sobre a verdadeira história de Lisbeth Salander.
Li algures que Stieg Larsson sabia perfeitamente o que estava a dizer e queria contar, de que muitos dos pormenores que nos deixam de boca aberta ao longo da história, poderão de facto ter acontecido.
Este último volume deixou-me a pensar e a fazer comparações com nosso sistema Judicial quando comparado ao Sueco. Ao contrário de Portugal na Suécia não existe um Tribunal Constitucional. E até que ponto é que a nossa intimidade, poderá se devastada e abusada sem que o saibamos?
Sob este aspecto e também sob outros pormenores que Larsson nos conta, a Suécia não é de todo o paraíso a norte da Europa. Outro dos pontos que estranhei bastante (e segundo parece é uma prática comum nos tribunais Suecos), foi a cumplicidade do “tu cá tu lá” entre Juízes, Procuradores e Advogados. É realmente muito estranho, quando comparada com uma realidade como a Portuguesa, que remete para o seu galho o respectivo macaco.

É impossível não notar a evolução  de  Lisbeth Salander (a todos os níveis), a sua força de vontade e a “obrigação” em ter de cumprir regras estabelecidas pela sociedade em que deixou ou nunca acreditou e aprender a confiar um pouco mais em todos aqueles que de facto a querem e podem ajudar, uma verdadeira prova de fogo e um enorme tormento para a personagem.

Tudo fica bem, quando acaba bem… não irei dizer muito mais sobre este livro para não correr o risco de fazer spoilers, mas é com uma certa pena que termino a série que se fica por uma Trilogia e não como um conjunto de histórias inicialmente prevista por Stieg Larsson.
A trilogia Millennium é de facto extraordinária e recomendo a leitura a todos aqueles que apreciam uma boa história. É definitivamente uma das melhores séries que já li.

 

Sinopse:
Neste terceiro e último volume da Trilogia Millennium, Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isso não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas… Os elementos da SAPO continuam as suas movimentações; Mikael Blomkvist tenta de todas as maneiras ilibar Salander; Dragan Armanskij, o inspector Bublanski e Anita Giannini unem esforços para que se faça justiça; Erika Berger sente-se também ameaçada; e quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?

25
Out12

A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo

Nuno Chaves

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Após ler “Os homens que odeiam as mulheres” iniciei de imediato a leitura do segundo volume da trilogia escrita por Stieg Larsson. Os acontecimentos do livro anterior foram de tal forma extasiantes, que este segundo parece ter sido escrito quase em banho-Maria, mas rapidamente esta sensação é ultrapassada com os novos desenvolvimentos na vida de Libeth Salander.

Este livro é de tirar o fôlego, tenho a certeza de que foi extremamente bem pensado e posteriormente desenvolvido. Passaram dois anos desde os acontecimentos anteriores. Encontramos uma Lisbeth Salander, completamente desligada  e em busca de um novo sentido para a sua vida, sem no entanto se ter refeito completamente da aventura anterior.

Mikael Blomkvist, renasceu das cinzas após a queda de Hans Wennerstrom, no entanto não esquece a pessoa que mais o ajudou a levantar-se: Lisbeth, desconhecendo por completo o seu paradeiro. Acaba por desistir e espera que a rapariga o volte a procurar.

 Entretanto  Mikael vê-se empurrado para uma investigação de assassinato de dois jornalistas que estavam a colaborar com a Millennium num caso de tráfico de mulheres e ainda de  uma terceira vítima (não irei revelar quem – para aqueles que ainda não tenham lido o livro), aparentemente Lisbeth Salander é a única suspeita deste crime que assume proporções épicas e monstruosas.

Stieg Larsson consegue fazer entrar novamente os seus leitores num verdadeiro labirinto de mistérios e meias verdades. Para quem leu “Os homens que odeiam as mulheres” irá encontrar novamente um estilo muito semelhante. No entanto a leitura deve ser feita cronologicamente, pois são mencionados alguns factos e momentos vividos na aventura anterior.

A determinada altura Lisbeth Salander desaparece simplesmente da história, dando lugar à entrada de novos personagens na trama, o que acaba por adensar ainda mais o mistério acerca do seu envolvimento nas mortes de Dag e Mia.

O livro termina de forma abrupta, deixando o leitor boquiaberto e completamente de rastos, querendo imediatamente partir para o livro seguinte. (e foi mesmo isso que fiz).

Quanto ao (tantas vezes) mal falado título deste livro… ele faz todo o sentido! embora nos tenhamos afastado do título original sueco, ao contrário do primeiro (que foi traduzido à letra). No entanto este além de fazer sentido, vem levantar um pouco mais o denso véu na história de Lisbeth. De facto “A rapariga, que brincava com o fogo” como nos diz o título Sueco (flickan som lekte med elden)Não brincou com ele por prazer. Creio que para quem leu este livro, percebe o que estou a tentar explicar, sem revelar muito da história.

O segundo volume da trilogia Millennium, é um livro difícil de largar e que acaba por tornar-se ainda mais entusiasmante que o seu antecessor, a explicação para o facto dos comportamentos bizarros e a estranha personalidade de Salander, começam a ganhar forma, deixando o leitor ávido por mais.

Lisbeth Salander (tenho a certeza) é daquelas personagens que já ganharam um lugar de destaque na história da literatura moderna. (o tempo o dirá se eu estiver enganado).

Um livro extraordinário, que recomendo sem reservas.

Entretanto e pelo meio, vi a versão Americana de “Os homens que odeiam as mulheres” e…. Não convence! (muito fraca frente à versão Sueca.
Comparativamente ao livro… Desilude muito. Bem sei que os filmes são uma adaptação, no entanto este filme deixa muito a desejar e nem o elenco estrelado por Daniel Craig o consegue salvar. Não gostei! Sinceramente não gostei, esperava muito mais.

 

Sinopse:
Depois de uma longa estada no estrangeiro, Lisbeth Salander regressa à Suécia, cede o pequeno apartamento onde vivia à sua amiga Miriam Wu, e instala-se luxuosamente numa zona nobre da cidade. Pela primeira vez na vida é economicamente independente, mas cedo percebe que o dinheiro não é tudo: não tem amigos nem família e está só. Mikael Blomkvist, que tenta contactar Lisbeth Salander durante meses, sem sucesso, desiste e concentra-se no trabalho. À Millennium chegou material para uma notícia explosiva: o jornalista Dag Svensson e a sua companheira Mia Johansson entregam na editora dois documentos  que provam o envolvimento de personalidades importantes numa rede de tráfico de mulheres para exploração sexual. Quando Dag e Mia são brutalmente assassinados, todos os indícios recolhidos no local do crime apontam um suspeito: Lisbeth Salander. O seu passado sombrio e pouco convencional não abona a favor da sua imagem e a polícia move-lhe uma implacável perseguição. Lisbeth Salander, que está disposta a romper de vez com o passado e a punir aqueles que a prjudicaram, tem agora de provar a sua inocência e só uma pessoas parece disposta a ajudá-la: Mikael Blomkvist que, apesar de todas as evidências, se recusa a acreditar na sua culpabilidade.”

11
Abr12

O Capitão Alatriste

Nuno Chaves

 

A fazer lembrar (muito ao de leve) “Os Três Mosqueteiros” O Capitão Alastriste é primeira parte da série “As aventuras do Capitão Alatriste”.

Efectivamente muitos comparam Alatriste ao espectacular clássico escrito por Alexandre Dumas mas… só se for mesmo na questão de se tratar de uma história de espadachins à moda antiga ou na série de conspirações que se tecem nas várias cortes Europeias, nomeadamente na Espanhola (durante o reinado de Filipe IV) e na Inglesa.

De facto para quem leu “Os três Mosqueteiros” ou “Quinze anos depois” é impossível não fazer comparações…. embora a história de Dumas, faça vibrar muito mais os leitores pela acção e sobretudo pelos diálogos entre os personagens e os diálogos são (para mim) a grande diferença entre os dois livros, em Alatriste existem muito menos diálogos o que pode prejudicar um pouco a leitura inicialmente.

A primeira aventura de Alatriste é-nos narrada quase na totalidade por Iñigo Balboa Aguirre um jovem rapaz orfão de pai que terá lutado ao lado de Diego Alatriste e sucumbido na guerra. E através dos seus olhos vamos acompanhando o dia a dia do Capitão, que nem sequer é Capitão.

Embora no fundo Alatriste seja um assassino a soldo, não deixa de ser curioso que mantém alguns principios… não mata mulheres e crianças e mantém  sempre a sua palavra sejam as consequências boas ou más. (mas isso vai mudar).

Nesta aventura Alatriste é contratado por gente muito poderosa para liquidar dois cavalheiros Ingleses que entram discretamente em Espanha, tudo terá de ser feito de forma a que pareça um assalto e a única missão de Alatriste é liquidar estes dois homens e roubar-lhes importantes documentos que trazem consigo. Neste ponto (e uma vez mais) é visível o poder que a Igreja (naquela altura a Inquisição) detém sobre os homens e também sobre o soberano o jovem Rei Filipe IV.(a acção decorre em Madrid em 1620) Através do dissimulado Frei Emilio Bocanegra, vamos verificando as atrocidades e injustiças que se cometiam em nome de Deus.

Alatriste no entanto não é bem sucedido na sua missão ( e agora não posso contar mais nada, para não estragar a surpresa de quem possa ainda não ter lido o livro).

A Espanha (daquela altura) uma das nações mais poderosas do mundo à semelhança de Portugal é ricamente descrita por Reverte e é notável o trabalho de pesquisa que não deve ter sido fácil. No entanto para aqueles que procuram uma verdadeira aventura de capa e espada, não a vão encontrar aqui, o excesso narrativo dos costumes e da época, retiram um pouco o folego e emoção de uma verdadeira aventura. Esperemos que isso venha a mudar nos próximos livros.

Das aventuras do capitão Alatriste, fazem ainda parte Limpeza de Sangue (1997), O Sol de Breda (1998), O ouro do Rei (2000), O Cavaleiro do gibão amarelo (2003), Corsários do Levante (2006) e A Ponte dos assassinos (2011)

 

Sinopse:
O capitão Alatriste é um espadachim a soldo que se movimenta no submundo da decadente corte espanhola do século XVII. Valente como poucos, aprendeu a combater na Flandres ao serviço do exército espanhol, mas, agora, as lutas são outras: entre vielas e tabernas, desafia perigosos assassinos, conspiradores e, até, a Santa Inquisição.
Rodeado de personagens cativantes, como o seu pajem Iñigo Balboa, o poeta subversivo Francisco de Quevedo, o inquisidor frei Emílio Bocanegra, o assassino Malatesta ou o diabólico secretário do rei Luis de Alquézar, o capitão Alatriste vê-se envolvido nas intrigas e conspirações que caracterizam a Madrid do século XVII. É uma época de profundas convulsões geradas pelo envolvimento, por ordem do rei Filipe IV, em diversas guerras desastrosas.
A série do capitão Alatriste, criada em 1996, é uma homenagem aos livros de aventuras, como por exemplo Os Três Mosqueteiros, que marcaram a iniciação à leitura de sucessivas gerações. Em dez anos, a série “Alatriste” já vendeu mais de cinco milhões de exemplares em todo o mundo.

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