Ulianov e o Diabo

Mais um livro do autor Pedro Garcia Rosado, e este em especial era um livro que queria muito ler. Trata-se do segundo volume da série “O Estado do Crime” e deu-me algum trabalho a conseguir, visto que já não está em circulação. Mas o esforço compensou. Para quem acompanha o trabalho do autor, sabe porque é que este livro se torna especial… Ulianov o protagonista deste thriller é um personagem memorável que descobri em “Vermelho da Cor do Sangue” e que tal como apareceu, desapareceu e levou o leitor a torcer por ele e a desejar saber mais a seu respeito. O facto de estar a ler os livros numa ordem invertida, dá-me também a possibilidade de recordar outros personagens com quem já me tinha cruzado. O Inspector José Moura e o Director Rodrigo Álvares (O Clube de Macau) e o personagem Maxim e o seu célebre “video-clube” (Vermelho da Cor do Sangue). Em Ulianov e o Diabo, é novamente aberta a porta para o universo de Serguei Denisovich Tchekhov, ex-agente do KGB, desta forma conhecemos e entendemos um pouco melhor o percurso do Ex-agente Soviético e de como chegou a Portugal. Novamente a estrela maior é a corrupção e a dimensão inacreditável dos tentáculos do “Polvo”. A história começa na década de 70, quando dois irmãos, Lourenço e Alberto, raptam uma rapariga e a deixam quase à beira da morte. Trinta anos depois, voltamos a encontrar esta insólita “dupla” de irmãos que continua a fazer das suas. Pouco dados ao trabalho e preferindo a boa vida, Lourenço e Alberto vivem sobretudo uma vida dupla, em que o mais importante são as aparências. Sempre à sombra do pai, um poderoso industrial (em fim de carreira) os dois irmãos vão cometendo vários crimes, que para eles não passam de meros pormenores. Associação Criminosa, Enriquecimento ilícito, Tráfico de Influências e Prostituição são apenas alguns dos temas deste romance e dos disparates dos dois irmãos … Até ao dia em que algo corre mal e irá despoletar a ira e a vingança de Ulianov. Mas à sombra (saindo dela literalmente) do grande personagem que é Ulianov, PGR dá-nos a conhecer outra figura marcante é ele… O Diabo. É impossível pela descrição dada, não fechar os olhos e imaginar esta tenebrosa criatura que espreita das entranhas da terra. Confesso que me repugnei e comovi ao mesmo tempo com “O Diabo” uma figura que vale a ser descoberta.
De leitura rápida e compulsiva à semelhança daquilo que o autor nos tem habituado, cada capítulo deixa-nos em suspenso e sem conseguir parar. Viajamos ao sabor da imaginação e descobrimos uma outra Lisboa por debaixo do chão, essa Lisboa que sabemos onde começa… mas que não sabemos onde irá acabar ou onde nos poderá levar.
* Marco novo encontro com Ulianov e o Diabo, na próxima série do autor (As Investigações de Gabriel Ponte) que conto ler em breve. Deixo também uma nota ao PGR ( e porque também eu tenho uma imaginação fértil). Espero reencontrar o “Diabo” antes deste episódio, saber quem é, de onde veio e como veio aqui parar. (mesmo tendo algumas indicações) Deixo aqui o mote ou a peça que poderá encaixar num possível “ressuscitamento” do Coronel Vitor Gil… (e porque não)?
«Ulianov e o Diabo» é o segundo livro da Trilogia “O Estado do Crime” depois de «Crimes Solitários»
Sinopse:
Nos bastidores do jet-set de Lisboa, os dois filhos deserdados de um antigo cavalheiro da indústria cometem finalmente o crime que pode arrasar a sua carreira de playboys em full-time e de criminosos em part-time No coração de Lisboa à beira do Tejo, o imigrante Russo que tem o nome de guerra de Ulianov , ex-agente do KGB e ex-presidiário em Portugal, é arrastado para a baralha mais difícil da sua vida, quando a sua Irmã desaparece. No mundo sombrio entre as relações entre a política e os negócios, um empresário preparar-se para construir a obra-prima da sua vida. E do inferno das cavernas subterrâneas de Lisboa emerge o sem-abrigo que guarda o segredo do desaparecimento da irmã de Ulianov. Esqueça tudo o que pensava que sabia sobre o que se passa fora do alcance dos seus olhos e debaixo dos seus pés, porque Ulianov e o Diabo vai levá-lo a um mundo desconhecido, onde habitam personagens capazes do impensável.

