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100 POR CENTO LIVROS

16
Ago13

Por Favor não matem a Cotovia

Nuno Chaves

 

Este era uma dos livros que há muito tempo queria ler. Pelas muitas opiniões que fui lendo, reparei que era um livro que ficava na memória dos leitores, e finalmente parti para a sua leitura graças à Roda dos Livros ( e ao Jorge Navarro).
Apenas a título de registo, e para quem ainda não leu e gostaria de o fazer ou comprar (e porque a editora Difel que o publicava já não existe) esta obra está também no catálogo da Relógio D’Água com o titulo “Mataram a Cotovia” (mais fiel ao original) mas é um bocadinho mais caro.

Como disse, há muitos anos que ansiava a sua leitura, entrei portanto com grandes expectativas, apenas posso dizer que é um livro fabuloso, com uma história cheia de significados e muitas interpretações.
Para quem apenas conhecia a sinopse da história (como eu), não tem noção da grandiosidade deste livro: o título “Por Favor Não matem a Cotovia” é por si só um fenómeno de magnetismo imediato… Mas depois aparece a pergunta: porquê a Cotovia? de facto a ideia que tenho da Cotovia é que é um pássaro pequeno (nem bonito nem feio) com uma cor que se assemelha a um Pardal e um aspecto parecido a um Canário, mas a maior semelhança com um canário talvez seja mesmo o canto destes pássaros.

Diz Harper Lee neste livro que matar uma cotovia é pecado: (explicação do personagem Atticus, para a sua filha pequena Scout)
“As cotovias não fazem mais nada senão cantar para satisfação nossa. Não comem coisas nos jardins das pessoas, não fazem ninhos nas searas, não causam danos a ninguém. É por isso que é pecado matar uma cotovia.”

De facto na minha interpretação a Cotovia surge aqui como uma espécie de metáfora precisamente pela inofesividade aparente e para aquilo que a história nos reserva. Se lermos a sinopse, ficamos com a ideia de que se trata apenas de um livro sobre o racismo, mas esta história é muito mais que isso. A história em si é vista pelos olhos da pequena e ainda inocente Scout, que à semelhança da Cotovia, não tem, nem vê qualquer maldade nos adultos. São as várias situações a que irá estar sujeita que a obrigam à força a ver o mundo com outros olhos.
O pai Atticus é um advogado, que aceita um dia a defesa de um negro que é acusado de violar uma jovem branca, numa altura em que tudo o que de mau acontecia “era culpa dos pretos” a revolta da pequena população local, não se faz esperar. A família de Atticus começa a a ser perseguida e humilhada, porque o advogado contra tudo e contra todos insiste em defender o homem acusado, sabendo o leitor de ante-mão que está inocente. Esta  é uma das partes mais revoltantes da história, em que o leitor fica impotente, ansiando pela reviravolta.
Mais do que racismo “Por Favor Não Matem a Cotovia” fala de Amor e de Respeito pelo próximo e sobretudo respeito pelas diferenças, não apenas da cor da pele, mas também as diferenças entre pessoas e classes sociais. Atticus é um personagem incrível e como viúvo  e pai solteiro é fantástica a actuação com os seus dois filhos, Um homem que está à frente do tempo.
Este livro é uma enorme lição para todos aqueles que ainda hoje não sabem lidar com a diferença.
Porque as diferenças existem…. Sempre existiram. A intolerância também e continua a existir.
Gostei muito deste livro. recomendo-o sem qualquer reserva. É um livro imprescindível.

 

Sinopse: 

Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos o dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.

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