Os Homens que Odeiam as Mulheres
Resisti durante muito tempo, mas finalmente decidi pegar em “Os Homens que odeiam as Mulheres”. O livro que toda gente falou na altura em que era novidade, um livro que já toda a gente leu, menos eu. :)
“Os homens que odeiam as mulheres” é o primeiro livro da trilogia Millennium, e também marcou o início do Boom que veio originar a descoberta e a febre em torno dos chamados “policiais nórdicos”. depois de Millennium surgiram policiais Suecos, Noruegueses e até mesmo Finlandeses. e de outras nacionalidades acabadas em “eses” destacando alguns que têm feito muito sucesso entre nós: a dupla Lars Kepler, Camilla Lackberg ou mais recentemente Asa Larsson.
Não tinha sequer previsto a leitura deste livro para este ano, aliás, foi das poucas excepções em matéria de livros novos (leia-se comprados). A minha meta para 2012 em termos de gastar o menos possível e de reduzir substancialmente as eternas filas de espera, tem dado alguns frutos, mas não tem estado propriamente a correr como eu tinha planeado. (Por isso é que não gosto de metas… nunca as consigo cumprir). Como estava a dizer foi perfeitamente ao acaso que iniciei a leitura deste livro, infelizmente tive de passar pelo IEFP e ao chegar deduzi claramente que ali iria passar algumas horas. “lembrei-me que me tinha esquecido” do habitual livro que costuma andar a reboque, sempre que vou para sítios onde as coisas são sempre muito rápidas e correm sempre pelo melhor. Tirei a senha e preparei-me para esperar… e esperar. Claramente foi-me impossível ficar ali a olhar para o boneco. Saí e tive a sorte de existir ali bem perto uma livraria, não demorei muito tempo a escolher, comprei uma edição da BIIS, claro está a metade do preço, regressei e devorei literalmente metade do livro enquanto esperava a minha vez.
Os Homens que odeiam as Mulheres…. são estúpidos… é a primeira coisa que me vem á cabeça ao olhar para o livro de Stieg Larsson, sou ainda um novato no que toca a livros nórdicos, a única experiência que tive foi com a dupla Lars Kepler “O Hipnotista” e gostei muito do livro. Estava com algum receio deste livro, visto já ter lido algumas opiniões acerca dele, mas foi amor ao primeiro parágrafo.
Gosto particularmente de thrillers e policiais bem construídos e que me deixam a pensar e com a cabeça ás voltas. este livro Millennium é um desses livros. Não conhecia quase nada da história, não vi (mas vou ver) as adaptações ao cinema. E depois do meio livro lido, fiquei com vontade de ir a correr imediatamente ao fim para descobrir a identidade do assassino.
À semelhança de “O Hipnotista” estranhei e muito, a pronunciação dos nomes e apelidos dos personagens isto deve-se ao facto de a maioria dos livros que vou lendo terem nomes em Inglês ou Francês ou Espanhol, mas ao fim de uma quantas páginas e de repetidamente tentar pronunciar o nome de “Mikael Blomkvist”, essa barreira desaparece.
Raramente em Millennium – Os Homens que odeiam as mulheres existem momentos mortos, salvo uma outra excepção no inicio do livro em que Stieg Larsson descreve pormenorizadamente certas questões e transacções financeiras que definitivamente não são o meu forte e acho o tema muito aborrecido.
Fiquei viciado neste livro, li-o em apenas 3 dias, Larsson é directo, sem papas na língua, mistura ficção com alguns casos reais. Notam-se claramente as suas preferências políticas e a sua opinião sobre a Suécia, que aqui nos é apresentada de uma forma diferente daquela que habitualmente costumamos ouvir falar. Afinal a Suécia não é o paraíso da Europa.
Se há uns anos atrás tivesse lido este livro, não faria a mínima ideia do que era o Ikea… Achei alguma piada, quando um dos personagens resolve mobilar a casa com os produtos da conhecida marca sueca, engraçado também que eu estava a visualizar os móveis pelo nome à medida que o personagem ia fazendo as compras.
Mas afinal a Suécia, não é apenas um país onde toda a gente é feliz e com um nível de vida, muito superior ao dos outros povos europeus… Existe uma Suécia negra e com tantas falhas racismo e corrupção, que o autor desnuda de uma forma magistral.
Impossível resistir a Lisbeth Salander a hacker de serviço, Uma das personagens femininas, que ficará seguramente nos anais da literatura. É de facto uma personagem envolvente e inesquecível.
Não irei alongar-me muito mais acerca deste livro, visto existirem ainda mais dois. Este parece-me poder ser lido separadamente, pois a história tem princípio, meio e fim. Uma pena a morte prematura do seu autor, que já não pode assistir ao reconhecimento internacional do seu excelente trabalho.
“Os Homens que odeiam as Mulheres” um titulo que faz todo os sentido à medida que vamos avançado na leitura, os personagens são terrivelmente envolventes, credíveis e viciantes. Um livro de tirar o fôlego e de apenas se conseguir respirar na última página. Tudo o que eu possa dizer, já foi dito por outros e apenas posso subscrever…. Vale a pena e deve ser lido.
Sinopse:
O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstrom e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.
